Guerreiros e guerreiras.
Craques e torcedoras.Quem viu, viu. Quem não viu, infelizmente terá que se contentar com minhas mal blogadas linhas e as histórias contadas por cada um que esteve no jogo de ontem.
Encerramos nossa participação na Copa Chope 2009. Antes que os desavisados perguntem, eu digo: não, não ganhamos. Não, não empatamos. Não, não perdemos de pouco. Foi a maior goleada sofrida pelo Maroulive na competição.
2x16.

Os mesquinhos que lá não estavam darão risadinhas irônicas. Dirão que o time é uma vergonha...
Pobres diabos, ignoram o significado por trás desses números. Os deuses da bola viram que nosso time deu um exemplo de dignidade nesse campeonato e especialmente no jogo de ontem. Um exemplo de
futebol arte (às vezes romântica, às vezes barroca, muitas vezes surrealista) e um exemplo de honestidade e luta contra o infame futebol-de-resultados-custe-o-que-custar.
Desfalcado de muitos craques, com muitas lesões nos guerreiros restantes, os poucos bravos do Maroulive enfrentaram, além de um exército maior (o bom time da Nova/SB), a arbitragem suja de um juiz desprovido de alma, um assassino da arte, que quebrou a firma de nosso coleginho do inovador futebol crocante, de serenatas de dribles antes desconhecidos inventados por nossos craques-barriga.
Enfim, um safado. A reportagem apurou e descobriu a graça do meliante: César Maia.

Nosso técnico Bruno MagalhãeZ tem fontes seguras que afirmam haver visto uma mala preta de dinheiro no banco de trás de uma Marajó 86 que estava no estacionamento. A Marajó do César Maia.
Mas vamos ao jogo para explicarmos melhor o significado do placar e de nosso protesto.
O JogoLogo de cara, os guerreiros do Maroulive sabiam que estavam à beira do fracasso. Nosso time em frangalhos. O adversário, completo e babando por sua classificação. Mas o jogo começou e sabíamos que o futebol (especialmente o crocante) prega suas peças. Aí está a razão de ser do Maroulive.
Pressão adversária nos primeiros minutos. Um chute a gol, dois, três, quatro! Bandeirão se ralava como parmesão para fechar o gol. Nossa zaga derretia, nosso meio-campo azedava, o ataque fedia...

Porém...Gil pega sobra lá na frente e é
GOL DO MAROULIVE!! 1x0 pa nóis! A primeira lição estava aí. Provamos que, no sprint dos primeiros minutos dos jogos, somos os melhores. Abrimos o placar em 3 dos 4 jogos que disputamos. Somos o
Usain Bolt dos gramados, porém mal aproveitado disputando provas de Maratona.
O time adversário sentiu. Das diferentes coordenadas cartesianas do gramado se ouviam lamentos como "
vamo jogá, caraio!", "
vamo tocá a bola que dá" "
joga sério, porra!".
Eu sorri, já tinha vencido minha batalha pessoal.
Vini, vidi, vici (Vim, vi, venci).
Mas, como dito antes, não era 100m rasos. Era maratona. O Usain Bolt do esporte bretão segurou a firma enquanto pôde e o placar de 1x0 Maroulive persistia.
Deus não é brasileiro. É maroulive.Mas aí entrou em ação o César Maia, famigerado ser a quem deram um apito na noite de ontem. Desesperado pela possibilidade de ter sua Marajó arrombada e toca-fitas e a mala preta roubados, César quebrou a firma. Começou a interferir no resultado tirando nossos bravos do gramado, um por um.
O primeiro foi Gil, que com sua voz de
timbre único reclamou de um lance, com razão. Reclamou sem xingamentos, apenas com o calor do jogo que derrete o chocolate na boca. Nada de mais. Mas César lhe tirou de campo por 2 minutos com um cartão amarelo. Revolta no time, revolta na torcida.
Logo depois, chute a gol do adversário, a bola bate na mão de Edugado, sem qualquer intenção. Falta e cartão amarelo (2 min fora) para nosso camisa 51. Mais revolta. Mais tensão. O Maroulive, inocente e boa praça, se sentia roubado. Com nossa inocência derrubada, nossas atrofiadas panturrilhas já não viam sentido em correr. Começamos a levar gols em progressão geométrica.
Quase ao fim de primeiro tempo, eu, cartola-capitão-técnico-e-padroeiro do Maroulive, cansei...
Meti a mão na bola. É, isso aí!
Também fui excluído por 2 min com cartão amarelo. Ao ver a expressão vil de César com o cartão na mão, não titubeei. Revoltado,
indicador em riste, apontado à sua reluzente careca, vociferei:
"Você não tem critério!".César Maia, com a indignação dos crápulas sem moral, me mostrou cartão azul, que não vi, pois as costas lhe dei e segui para fora do gramado. Com o azul, fui expulso e outro guerreiro teria que me substituir.
Do lado de fora, me juntei à nossa fiel torcida (
que compareceu em ótimo número) e tratei de gastar minhas cordas vocais para esculhambar e desclassificar os cacos de imagem do dito cujo que ainda restavam na moldura. Virei um corneteiro. Xinguei sim. Desculpe, mas precisava. Foi bom, confesso que tive prazer em ofender. César deve ter se arrependido e perguntado "será que o dinheiro vale isso?".

Mas outros guerreiros continuavam na batalha, agora já virtualmente perdida. Veio o segundo tempo, mais desmandos do senhor do apito. Até Carlos Eugênio Simon comentou: "é uma vergonha".
Diante da amarga (90% de cacau) injustiça , nossos craques resolveram cair de pé (alguns cairam de bunda mesmo). Restaram os lances bonitos e de efeito:
Edu Cunha deu chapéu. Pirata e Edugado costuraram tabelas Diego (nosso Obina) provou que é melhor que o Nivaldo (nosso Eto'o)Gil também ia deixando um golaço como mensagem, mas o goleiro adversário defendeu. César Maia, vil e pusilânime, marcou tiro de meta. Cansado daquela merda, nosso artilheiro sentenciou:
"Me expulsa aí!"Foi prontamente atendido pelo mal. Nosso protesto estava consumado. O Maroulive tinha dado provas de que não perderia um jogo dessa forma aceitando essas circunstâncias. Largamos de mão.
Isso não é o nosso futebol.Mas o melhor ainda estava por vir. A cereja do bolo. Com um jogador a menos, com apenas a nata do Maroulive em campo (
Bandeirão, Edu Cunha, Pirata, Diego e Padrão), o time encontrou calorias para balançar as redes uma vez mais, o último e mais espetacular gol do Maroulive.
Padrão, ele mesmo, recebeu a bola pela esquerda, avançou e meteu uma rosca, um chute daqueles que transformam bolas de futebol em bumerangues. Mas antes que a bola voltasse rodopiando para os pés de nosso ninja, havia a rede do gol. Gol de Padrão.
Padrão Maroulive de Qualidade!A torcida veio abaixo. Renata Aspin chorava. A namorada de Padrão levantava sua placa "eu já sabia". Denise twitava soluçando.

Para encerrar com chave de ouro, Padrão comemorou o gol com um duplo-carpado-twist-caramelizado-com-flocos-crocantes-cebola-picles-no-pão-com-gergelim.
Sem mais. This is Maroulive!Obrigado aos heróis que compartilharam essa comédia comigo!